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É interessante notar que a maioria dos artigos sobre criança, ou
gestação, o enfoque se volta mais para a figura materna do que a paterna, porém este é também de extrema importância e crucial para o desenvolvimento
da criança. Salienta-se aqui, que figura paterna ou materna, não se refere somente aos pais
biológicos. Mas sim, aquelas pessoas que cuidam da criança, que possuem um grande vínculo
afetivo, convivem com esta e não necessariamente precisam estar morando sob o mesmo
teto.
A nossa cultura patriarcal determina que o homem é um ser que precisa ser
auto-suficiente, até porque não faz muito tempo atrás ele era o único provedor do
lar, era realmente o chefe da casa, e isso se estendia pela sua vida a fora. Os papéis vividos pelas pessoas eram muito
rígidos, a esposa era realmente a "esposa", aquela que servia ao seu
marido, se voltava aos afazeres domésticos, costurava, rendava, aprendia piano para tocar para a família e nem mesmo podia
votar.
Estes arquétipos estão tão arraigados em nossas mentes, que mesmo com toda revolução que
houve, liberação sexual e da mulher, muita coisa ainda não é fácil de
mudar, além do que não
podemos nos esquecer que estamos inseridos em uma cultura e em um meio onde existem convenções e
"conveniências" sociais...
Não se que dizer aqui que as coisas devam ser mudadas ou não. O importante é a consciência de nós mesmos e de nosso "universo".
Como o assunto aqui se refere aos pais, gostaria de voltar ao objetivo do texto que é falar sobre o comportamento paterno em relação aos filhos e em como tudo isso que foi dito anteriormente influencia
o comportamento dos mesmos.
Como já foi falado no artigo "Contato Materno", carinho demais não é mimo,
ou é não dar limites à criança, ser permissivo demais, e sufocar a criança fazendo com que ela não se torne um ser
independente, pois assim sim essa se tornará um adulto frágil. E um adulto assim será uma pessoa que terá grandes dificuldades de enfrentar as vicissitudes da
vida.
O contato corporal faz com que a criança comece a ter noção, consciência de seu próprio corpo, e portanto seu próprio
eu, se localizando no espaço e no tempo, construindo sua própria
identidade. Além do que esta troca de contato saudável entre filhos e pais fará com que no futuro este ser se torne um adulto muito mais
equilibrado.
Existem muitos homens (pais) que têem muita dificuldade em expressar
sentimentos, em afagar os filhos, pois já não tiveram esse contato com os
pais, ou muitas vezes eles até se permitem acariciar a filha, mas o filho
não, temendo que este fique afeminado, porque estes próprios pais aprenderam que para ser homem você tem que ser auto-suficiente e esconder-se numa máscara de
"durão", para não mostrar para o mundo e para si mesmo que dentro de si próprio há uma criança vulnerável
e carente.
A dica aqui dada a esses pais é que eles possam resgatar esta criança interior que tanto precisa de "alimento" através do contato com seus próprios
filhos, brincando, rolando, brincando de boneca, de bola, contando uma
estória, trocando uma fralda, dando mamadeira, embalando, cantando e
acariciando. No começo parecerá um pouco difícil
ao pai se soltar, mas com o tempo este vai se acostumando e vai até gostar
muito, pois dando atenção e carinho para os seus filhos você irá resgatar muitas coisas que não teve na
infância, como também seus filhos no futuro terão maior probabilidade de serem ótimos
pais.
E se um dia, estes mesmos pais (e mães também) virem seus filhos homens
brincando um pouco de boneca, não se preocupe além da conta, pois um dia ele provavelmente será um pai de verdade e isto de maneira alguma irá afetá-lo em sua
sexualidade, e assim que passar essa fase ele logo se interessará por brincar com
carrinhos, monstrinhos, super-heróis.
Ao saber lidar com o seu "feminino", o homem aprende muito mais
a lidar com a sua sexualidade, porque se torna um homem mais inteiro, que sabe realmente o que é ser
homem. Sabe que para ser homem não precisa fazer pose de "machão".
Como este é um assunto às vezes delicado, se houver interesse em
esclarecimentos, dúvidas ou alguma crítica, envie um e- mail que responderei
assim que possivel.
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