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Os transtornos alimentares, dentre eles a bulimia nervosa, a anorexia, a compulsão periódica e a vigorexia, consideradas como doenças do impulso vem sendo estudadas quanto a suas relações com o funcionamento cerebral e na sua expressividade psicológica. Na web
é possível encontrar uma quantidade de informações vindas de fontes bastante confiáveis, de trabalhos científicos e artigos bem elaborados. Os especialistas fazem a sua parte quando vem a publico explicar sintomas, conseqüências e formas de tratamento tirando
o assunto de âmbito acadêmico e dos consultórios e facilitando ao publico leigo as informações.
O aumento significativo do número de casos, inclusive de obesidade infantil, e da ocorrência cada vez precoce das anorexias não deve servir para que banalizemos sua gravidade e importância.
Comecei a atender pacientes com transtornos alimentares na década de oitenta quando pouco se falava sobre o assunto, principalmente mulheres jovens bulimicas e anoréxicas num estagio avançado de sofrimento
psíquico e corporal. Como parte de um mecanismo de controle da situação omitam o que lhes ocorria, enveredando por um caminho cheio de disfarces e acabavam se perdendo em tantos temores e atos para evitá-los.
Difícil aceitar que haviam perdido a liberdade de escolha e estavam na mão de um quadro tirano. Admitir a impotência diante de algo maior era difícil para essas jovens mulheres já que faz parte da adolescência
pensar que estamos sempre no comando e que o sofrimento ocorre com os outros, não conosco.
Ainda hoje estes distúrbios têm seu inicio referido na adolescência e se misturam com algumas ocorrências comuns tais como uma certa ilusão de indestrutibilidade, uma grande energia para questionar os laços da
família de origem, a experiência do corpo em mutação, a sexualidade e a escolha vocacional.
Ma é nesse momento crucial de passagem quando essas meninas mulheres precisam “fincar o pé” testando seus apoios algo altera o curso natural do desenvolvimento psicológico e elas ficam paralisadas. É bem verdade
que os condicionamentos e expectativas sociais ditadores de padrões de comportamento e beleza fazem pressão sobre essas jovens, mas não são a causa dos transtornos alimentares. Não há doença se o terreno esta bem defendido e cuidado. Existe um conjunto de
acontecimentos psicológico pessoais aliados às situações externas presentes em todos os casos de T.A. Há sempre nessas pacientes e em suas famílias vínculos frágeis ou confusos, super proteção, pouca tolerância á frustração e à imprevisibilidade da vida, dupla
comunicação, ansiedade e impulsividade. Portanto trata-las implica em examinar o funcionamento familiar dentro da psicoterapia e fora, em termos de orientação aos seus membros.
Nos grandes centros de tratamentos da Inglaterra, nos EUA e aqui no Brasil em hospitais ligados a grandes universidades o núcleo familiar é chamado a participar em vários momentos do processo. A colaboração e a
transformação das relações e dos papéis familiares é fundamental.
O trabalho piscicoterápico é relativamente longo por que necessita discriminar onde esta estacionada a personalidade; porque é necessário formar um vinculo importante com a paciente e obter dela e de seus
familiares (quando menores) colaboração. Examinar medos, confusões e equívocos nas relações com as pessoas, com próprio corpo tenso e exausto além de confrontar necessidades não é tarefa pequena.
Aqui no Brasil utilizamos alem da terapia verbal, técnicas de relaxamento respiratório, o condicionamento autógeno de Schultz e outros recursos expressivos que estimulem a independência do paciente, uma melhor
consciência corporal e controle da ansiedade.
A medicação psiquiátrica e uma reprogramação de hábitos permite que o processo psicoterápico flua em melhores condições.
O intelecto só “não faz verão” e, portanto o enfrentamento de qualquer impasse psicológico pessoal surge dos conhecimentos a respeito somados a uma disposição para examinarmos nossa atitude
consciente
Denise M. Molino é psicoterapeuta junguiana trabalha em seu consultório em São Paulo e Jundiaí, no atendimento clinico e na formação de jovens psicólogos.
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Dra. Denise Mondejar Molino
(CRP 06/6070)
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