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Dra. Denise Mondejar Molino:
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Perder um filho é uma experiência terrível, talvez a mais
difícil a ser enfrentada por um ser humano. Projetamo-nos
para frente nos filhos que temos pois levam consigo nossas
feições, valores, história, todas as fantasias de
imortalidade e construção.
Criança traz consigo o novo, o futuro, o frágil e delicado,
a curiosidade e a dúvida, a brincadeira e o pedido por
continência e amor. Funções da parentalidade, o nutrir,
acolher apresentar o mundo ao menino e à menina, “assoprar
dodói”, ensinar o pode / não pode; para exercê-las é preciso
que um dia tenhamos ocupado o coração e a mente de alguém.
Assim, tendo experimentado um lugar humano e digno possuímos
condições de “passar o bastão” à frente como se diz .
Mas somos pegos por
tragédias que se sobrepõem e pedem uma reflexão. No Rio de
Janeiro, pessoas na sua maioria crianças, morrem de dengue,
sem a oportunidade de diagnóstico preciso e de um simples
soro porque não há espaço e olhar possíveis para suas dores.
Olhar adiado, vidas perdidas. Doloroso observar a expressão
de desespero e exaustão num misto de coragem e desamparo
nos pais que carregam seus filhos mortos, à semelhança da
Pietá.
Porém a dengue já perdeu seu espaço para a impensável forma
de morrer da menina Izabela, da jovenzinha torturada em
Goiânia, do menino que pulou da sacada de sua casa para
fugir à fúria e ao espancamento por seu pai alcoólatra e das
crianças que todos os dias morrem vítimas de abusos físicos
e psíquicos. Nos consultórios, postos de saúde e pronto
atendimento conhecemos bem os politraumatismos decorrentes
de surras, bracinhos queimados por pontas de cigarros e
hematomas mascarados por mentirosas e cínicas queixas de
“acidentes no lar”.
Como entender essa covardia? Do que falam a nosso pp
respeito a negligência da assistência, a tortura e morte
física ou psíquica de crianças e a importância desigual dada
tantos casos? Sucessão de espanto e comoção isentos de
reflexão.
Banalisadas as regras sociais de convívio e perdidas as
garantias de integridade, assistimos nossos horrores em
assassinos que desejamos ver punidos. Quando algo deste
porte acontece procuramos nos assegurar nas autoridades do
saber, os papais especialistas, querendo o próximo passo, as
providências, atrás de uma quase promessa de que não vai
mais ocorrer. Indignação ou medo disfarçado em porquês?
Assustados clamamos por justiça, limites e previsibilidade e
vamos para casa repetir nossas pequenas e grandes
crueldades.
De quê adianta culpar sogras e “má-drastas” ou qualquer
outra figura depositária das nossas mazelas se não impomos
conseqüência aos atos e não nos responsabilizamos pela
própria sombra, individual ou coletivamente?
Penso que é muito difícil mesmo olhar para as conseqüências
dos atos irrefletidos, das relações superficiais, do descaso
e do adiamento de decisões, aos quais somos capazes com
total prejuízo nosso. Carl Jung dizia que quando não olhamos
para nossas difíceis singularidades a vida pode mostra-las a
nós através de ocorrências.
Tomara nosso assombro e indignação com tantos filhos
perdidos promova alguma espécie de reflexão amorosa e séria,
que não seja passageira em respeito às vidas não vividas e
às mortes prematuras.
Estamos todos de luto.
Denise M.Molino é psicoterapeuta, especialista em Psicologia Clínica e atende em seus consultórios em São Paulo e Jundiaí.
(e-mail: dmmolino@hotmail.com).
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Dra. Denise Mondejar Molino
(CRP 06/6070)
Consultório em São Paulo:
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Fone: (11) 2274-5588 - Vila Mariana
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