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Dra. Denise Mondejar Molino:
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Quando tudo vai razoavelmente bem há energia para começar a
perguntar o que vale para si, em oposição aos valores da
família de origem. O corpo muda,
novos desejos aparecem, as
relações se sexualizam e a potência parece infinita.
É possível experimentar a sensação de que não há
perigos que não se possa suportar.
Misto de prazer e medo, a distância da casa paterna,
necessária para enfrentar o barco sozinho,
é um imperativo, um
desconforto absolutamente necessário.
Em varias culturas a chegada da adolescência é como
que “premiada” por provas e desafios geradores de tantas
tensões (também para os pais) e
impasses que,
uma vez, ultrapassados,
conferem força e identidade suficientes para seguir
em frente.
Falo das
“provas” quanto às mudanças
físicas, da perda das feições infantis,
do desenvolvimento dos genitais,
da tonalidade aguda da voz,
do corpo que se alonga ou arredonda na roupa comum á “tribo”
freqüentada. Sim, porque pertencer a um grupo com
identidade própria é fundamental. É nesse lugar que serão
ensaiadas tantas experiências de gente grande, os riscos, os
limites, os amores, as frustrações.
Mas isto é parte e não toda a questão. Quem sustenta e
acompanha o processo são os pais, atualmente, muito
desorientados. Eles não se autorizam a impor limites e meio
inertes assistem o jovem colocar sua vida em perigo.
Não cobram estudos, não
insistem na busca de um especialista quando o caso são as
drogas ou transtornos alimentares.
Vemos com freqüência, no consultório, moças bulímicas ou
anorexícas definharem sem que uma internação seja colocada
como enquadre concreto e necessário.
Os pais e a escola muitas vezes não percebem a demanda por
ajuda por trás de desajustes do comportamento,
racionalizando, usando o conceito das tais “fases”
equivocadamente. Há que ampará-las sim.
Nem sempre o que falta é amor, mas sim uma autoridade
legítima para atuar o papel de educador implícito na
parentalidade e usar o “não”, temor da Educação em anos
passados, essencial psiquicamente na estruturação da pessoa
humana.
Há que se discriminar entre o abuso de poder cego e pouco
criativo que não dialoga e se recusa à novidade trazida pelo
jovem, e o limite que frustra e protege. Não basta amar os
filhos para que estes se desenvolvam e neste sentido há
muitos jovens abandonados com família em casa. À
impulsividade nascente e por vezes tirânica do jovem é
importante opor referências externas, parâmetros, oferecendo
modelos, esperança, marcando a “ordem da casa”.
Pais e educadores precisam ser orientados e treinados para
suportar a sutileza paradoxal entre a proximidade e a
distância necessária ao jogo tenso que adolescência propõe.
Manter o fio frouxo o suficiente para permitir espaço e
experiência, porém firme e próximo para sustentar
necessidades; este é o desafio.
A discussão em torno da fragilidade atual que atinge
adolescentes e pais, deve favorecer que cada qual possa
ocupar o seu lugar e crescer através disto, porque embora a
diferença de gerações confira aos adultos o papel de
formadores, eles também como indivíduos terão seu
desenvolvimento incrementado pelos desafios enfrentados.
O desenvolvimento da personalidade ocorre ao longo de toda a
espiral da vida passando pelos mesmos pontos em níveis
diferentes, por isso o ser humano nunca deixa de necessitar
de apoio, do esclarecimento do afeto e de “nãos” essenciais.
Denise M.Molino é psicoterapeuta ,especialista em Psicologia Clinica e atende em seus consultórios em São Paulo e Jundiaí.
(e-mail: dmmolino@hotmail.com).
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Dra. Denise Mondejar Molino
(CRP 06/6070)
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