Leia Também:
Dra. Denise Mondejar Molino:
|
|
A obesidade tornou-se um dos mais importantes problemas de saúde pública em nossa cultura manifestando-se ao lado de muitas doenças crônicas. Numa sociedade altamente mecanizada, a ingestão de calorias não precisa ser tão grande
quanto era para nossos pais e avós, por exemplo, mas as necessidades de proteínas e vitaminas são as mesmas. Do ponto de vista nutricional a enorme quantidade de alimentos instantâneos que consumimos prometem
saciação porém não necessariamente nutrição. Como o funcionamento do corpo é sábio o metabolismo “arruma um jeito” de compensar os desequilíbrios e falta de substancias através de certos apetites.
A Nutrição e a Endocrinologia nos ensinam que doces e massas trazem uma sensação de saciedade quase que imediata mas são pobres em seus componentes. Assim em pouco tempo se estabelece um ciclo alimentar repetitivo.
As concepções contemporâneas da obesidade primária e secundária condenam dietas sobrecarregadas de açúcares e produtos refinados afirmando que estes congestionam a digestão e afetam o fucionamento do cérebro resultando em fadiga
e depressão. Certas intolerâncias alimentares também são responsáveis por estas sensações.
Como não sou bioquímica nem endocrinologista não tenho qualificação para discutir as complexas reações entre hormônios e outros elementos responsáveis pela nossa energia mas como psicoterapeuta ao trabalhar com pacientes obesos percebo o desconhecimento
e a distancia que tem em relação ao próprio corpo.
Do ponto de vista psicológico é essencial que estas pessoas aprendam um pouco sobre si mesmas e desenvolvam um interesse genuíno em experimentar alimentos adequados, alguns,
inclusive responsáveis pela regulação do humor. Mas a comida não é a causa de um distúrbio emocional.Quando preenche necessidades afetivas, funciona como um sonífero para aliviar a ansiedade e a frustração. De modo geral
indivíduos com problemas de peso corporal interpretam inadequadamente suas necessidades e tem dificuldades para expressar sentimentos. Não são “apenas gordinhos sem força de vontade”; isto é um pré-conceito. Freqüentemente são
pessoas sensíveis funcionando aquém de suas potencialidades e presas à severas expectativas sociais.
Conflitos psicológicos prolongados podem causar perturbações em órgãos e sistemas portanto seu tratamento deve incluir recursos que levem em conta a estreita relação mente-corpo. Emagrecer ou parar de engordar são resultados de um
esforço consciente para equilibrar o organismo e melhorar a auto-percepção com conseqüências positivas sobre o relacionamento interpessoal. Pequenos progressos tem grande significado.
Minha experiência com grupos para controle de peso fala de um crescente interesse dos pacientes em trocar experiências, falar de si mesmo e escutar o outro sem críticas. Esta é a condição essencial para
permitir verdadeiras descobertas, o popular “cair a ficha” que tão bem expressa a conexão com algo fundamental.
Os profissionais envolvidos na abordagem da obesidade devem incentivar esta atitude e nós como seres humanos precisamos refletir sobre nossas contradições cultuando a magreza como a um deus, estimulando todo tipo de consumo e pouco
interessados na vida simbólica das pessoas.
|
Dra. Denise Mondejar Molino
(CRP 06/6070)
Consultório em São Paulo:
Av. Lins de Vasconcelos 1609 - conj 52
Fone: (11) 2274-5588 - Vila Mariana
Consultório em Jundiaí:Rua Francisco Pereira Coutinho 165, V.Municipal, tel: 011-4522-6615/ 011-9724-1768 , Jundiai ,São Paulo .
|

|
|
|